19 fevereiro 2014

Sonhos

Há algum tempo li, num site que um amigo me enviou, sobre sonhos e o que eles podem ser. Lá dizia que os sonhos poderiam ser resolução de problemas, realização de desejos, codificação da memória de curto para longo prazo, processamento de emoções dolorosas, e por ai vai. Fiquei tentando identificar quais eram os meus sonhos e percebi que boa parte deles se encaixavam na tópico "realização de desejos".

Ultimamente, porém, a frequência desse tipo de sonho aumentou bastante. Então fico me perguntando: será que, pelo desejo ser realizado através do sonho, significa que ele não pode ser realizado estando acordada? Será que não posso viver aquilo que sonho e quero que aconteça? E indo pro lado da lei da atração.. A lei da atração se anula ou continua atuando nesse caso?

Fico impressionada no quanto esses sonhos influenciam meus sentimentos no decorrer do dia. Desânimo, mau humor ou então uma alegria sem tamanho. Claro que realizar todos eles pode trazer uma enorme confusão mental, então queria escolher alguns, em especial, para tornarem-se realidade. Mas e aquele medinho bobo que sempre aparece na hora de agir? Fica complicado tentar realizar um sonho apenas esperando que ele aconteça, né?!

Por mais chato que seja acordar e perceber que aqueles momentos bons aconteceram só na minha cabeça - será mesmo? - levanto desanimada, boa parte das vezes, mas com muita vontade de viver. E isso me alenta...

23 outubro 2013

Quanta neurose!

Estamos na era da tecnologia, em que a cada dia surgem coisas novas: celulares, aplicativos, computadores, câmeras, etc. É a era da evolução tecnológica, porém, na minha opinião, é também a era da regressão psicológica. Talvez regressão seja um termo muito forte, vamos colocar então como neurose. Sim, estamos na era da neurose.

Para grande parte da população, é inaceitável não ter um celular. Se você tem um celular, você deve andar com ele a todo lugar que vai, assim podem falar com você a qualquer momento. Mas e se você não quer atender? E se você não carrega o celular para todos os lados? E se deixa ele no silencioso? E se deixa ele dentro da mochila em outro ambiente da casa? E se telefonam e você não atende de pronto? Bom, então você está morto.

Obviamente, você não está morto, mas quem está do outro lado da linha parece simplesmente não conseguir pensar em outra coisa a não ser algo ruim como: você foi assaltado, ou sequestrado, estuprado, sofreu algum acidente. Neste momento surge um desespero tão grande e começam a telefonar a cada 2 minutos para ver se você atende, mas você não atende porque está no banho e seu celular está no quarto, largado embaixo das cobertas. Você sai do banho e descobre que, em menos de 20 minutos, recebeu 15 ligações e 5 mensagens de uma mesma pessoa.

Ah Angela, que exagero! Exagero nenhum! Ou vai me dizer que isso nunca aconteceu com você ou alguém que você conhece? Responda-me uma coisa então: era assim quando o celular não existia? Claro que não! As pessoas se sentiam seguras e confiavam nos outros. E sabe o que eu acho que as fazia sentir dessa forma? O não saber.

Agora existe essa necessidade de saber tudo sobre o outro, onde ele está, o que ele está fazendo, com quem ele está, e até já existem aplicativos de rastreamento para aumentar ainda mais o problema. Isso cria uma ilusão de controle sobre o outro. De que adianta saber que seu filho, ou namorado, ou seja lá quem for, está andando pelo bairro X na cidade Y? Se acontecer algo com ele você só vai ficar sabendo depois, como era antes, você não vai aparecer no local instantaneamente nem vai prevenir que algo aconteça. Você não está no controle. Ninguém tem controle sobre o outro, apenas sobre si mesmo.

As pessoas deveriam praticar mais o desapego. Eu bem sei que não é fácil, mas é necessário. Se alguém não atendeu, espere, a pessoa verá a ligação e, se quiser, ligará de volta. E se ela tiver realmente morrido, não vai adiantar continuar telefonando...

25 setembro 2013

Elogio bruto? Não!

Eu deveria estar trabalhando agora e provavelmente vou até boa parte da madrugada nisso, mas ando com um assunto na cabeça, há meses entalado, que agora precisa ser posto pra fora.

Uma amiga compartilhou pelo Facebook um link que levava a esse texto e ambos acabaram sendo um estopim... Admito que um dia eu já achei idiota quem reclamava disso, de ser assediada na rua, porque era uma coisa pela qual eu não passava e se falavam alguma coisa eu me sentia um máximo porque na época eu não me sentia uma garota bonita. Até que chegou um momento que a coisa começou a incomodar muito e passou dos limites. Eu sempre fui muito esquentada e ficava furiosa cada vez que algum cara falava alguma coisa ou pegava no meu braço, me dava vontade de pular em cima da criatura e encher de socos, mas tinha medo até de xingar, dependendo de como era a criatura.

Lembro de um vez ouvir uma pessoa que era muito querida pra mim na época, do sexo masculino, me falar algo absurdo, que me deu um nojo tão grande a ponto de ficar sem ação. Disse ele que ao estar num ônibus lotado preferia ficar atrás de mulheres porque era muito desconfortável para um homem "encoxar" outro e ser "encoxado". E pra mulher é maravilhoso ser encoxada no ônibus né? É um elogio bruto, como o cara do texto linkado acima fala, certo?

Fico impressionada como ainda tem gente que pensa assim! É nojento, desconfortável e, dependendo da criatura, até assustador! Sinceramente, acho horrível ser chamada de "gostosa" na rua, me da nojo e raiva. Me encolho o máximo possível quando estou de pé no ônibus pra não passarem se encostando em mim... Não é legal, não é elogio, praticamente ninguém se sente bem com isso.

Nem numa "quarta-feira nublada, cansada do trabalho, pensando no que fazer quando chegar em casa pra agradar o maridão remelento que só pensa em futebol (ah... por favor né?! sério? tu vai pra casa pensando isso? diz pra mim que não, por favor! diz também que tu não tem um marido assim)"...

01 abril 2013

Administração repressora

Mais de 4500 confirmados e outros 1400 "indecisos" num evento no Facebook chamado "Pela redução da tarifa! SEGUNDA VAI SER MAIOR!". Trata-se de um protestos contra o aumento da passagem de ônibus aqui em Porto Alegre. Aqui a passagem custa R$ 3,05, um valor altíssimo comparado com disponibilidade e qualidade do transporte coletivo. Um valor que vem sendo investigado pelo Tribunal de Contas do Estado que estabeleceu que o valor correto seria de R$ 2,60. Um valor que só serve para dar mais lucro para as empresas de ônibus e quem sabe quem mais ganha dinheiro por isso. Um aumento feito indevidamente, sem consenso da população.

A semana passada foi marcada por 2 protestos contra a passagem, um maior que o outro, e o número de participantes aumenta cada vez mais. Todos indignados com a forma que o povo é tratado e eu me orgulho de pessoal. Fui num dos protestos da semana passada e confesso que não estou indo no de hoje por medo. Medo de apanhar da polícia que está louca pra achar um motivo pra bater em alguém. Hoje eu vou ficar aqui sentada na frente do computador, dividida entre medo e vontade de lutar, acompanhando os acontecimentos pelo Facebook.

O protesto que está começando neste momento vai ser mostrado pela mídia de uma forma toda distorcida, mostrando só a parte ruim, caso essa aconteça, e apoiando o governo, como sempre. Como foi no último: 10 minutos de protesto conturbado e mais de 3 horas de protesto pacífico, com mais de 2 mil pessoas andando pelas ruas de Porto Alegre. O que os jornais e a televisão mostraram? Os 10 minutos de protesto conturbado. Vimos repórteres e câmeras correndo para nos acompanhar e depois, quando assisti o resultado das reportagens, deu pra ver o quanto manipularam as informações e fizeram os manifestantes de vilões.

Ai embaixo está um vídeo que mostra como tudo aconteceu. E não se enganem achando que a pixação no ônibus é vandalismo, os motoristas e cobradores apoiaram, pararam seus ônibus para serem pixados, eles estão do nosso lado, veem o lucro que as empresas ganham enquanto o salário deles é baixo.


Enfim, é possível que esse protesto seja noticiado em rede nacional, mas não acreditem em metade do que a mídia disser, procurem por outras fontes pela internet. É o melhor que toda a população tem a fazer.